Quando eu era pequena, tomava como jóias as unhas da minha mãe. Eram grandes e rijas, sempre bem pintadas nas suas mãos de fada.
Quando eu era pequena, tomava como único o gesto gentil quando a minha mãe corria o risco de estragar as unhas só para eu desfazer a vontade que tinha de as roer.
Quando eu era pequena, não sabia realmente a medida de certas coisas. A minha irmã nasceu e a minha mãe as suas belas unhas tinha. Pouco duraram pois foi o meu espanto quando num simples acto as cortou dizendo-me apenas que era para não magoar a bebé...
Quando eu era pequena, não entendia como podia ela abdicar de ânimo leve de algo que eu achava tão belo. Algo que ela perdia tanto tempo com...
Quando eu deixei de ser pequena, essa memória não se foi. Verdade seja dita "quando fores grande vais entender". Assim o foi.
Quando eu deixei de ser pequena, o valor que eu dava às unhas da minha mãe foi desvalorizado. Não por gostar menos, mas por entender que realmente eram só unhas.
Quando eu deixei de ser pequena muitas coisa perderam o valor. Mas foram as coisas que perderam valor ou fui eu que o perdi?
Na verdade acho que ganhei valores perdendo o valor do que eram as unhas da minha mãe.
Lembro-me disto como se fosse ontem. Uma grande tragédia. Para mim, foi uma das maiores provadas de amor. Daquelas que só as mães podem dar...
terça-feira, 11 de março de 2014
A minha mãe
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