segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Uma carta para ti.

Esta é a última coisa que te escrevo.
Escorrem rios dos olhares remotos. Destes mesmos olhos que acreditaram, eu sei que também enganaram...
Para ti, sem tabus ou qualquer justificação, descobri tudo, pelos vistos sempre foste uma falsificação.
Espero que as fodas na costa te tenham sabido a mel e que esses banhos na piscina te refresquem o sorriso amarelo.
De mim sei bem que aproveitaste as pausas para dar uns saltinhos. Mas só me pergunto: se era assim porque me querias tanto?
Era mais do mesmo. Mais uma fachada, uma mentira, uma ilusão. Uma garantia.
Quantas foram? Desde quando?
Censuraste-me de barriga cheia. Até deves ter tido menos peso na consciência.
Agora tanto coisa faz sentido. Ignoravas-me porque não se mexe no telemóvel quando se está na cama.
Mas a quem quero eu enganar? A única enganada fui eu que achei que os meus olhos viam o que não existia. O que realmente era eu não queria ver.
Sou infantil, deixei-me levar pela história da princesa. Da-me vontade de rir.
Realmente, antes rir que chorar. Claro que me perdoaste tão facilmente. Fazias pior!
Devia ter entendido que certas brincadeiras a que achavas piada já eram indícios deste destino.
Na verdade, tudo estava tão na minha frente que toda a gente devia saber menos eu.
Elas sabiam de mim, ou enganaste mais umas quantas com a história de amor sofrido?
Se calhar até aproveitaste a história do coitadinho traído para pitares uma ou duas.
Mas bom, não navegando demais...
Mal não te desejo, tal como nunca te desejaria... Pois afirmavas que eu não tinha amor quando na realidade afoguei-me demais neste amor mentido.
A nossa cama nunca foi minha.
Então as voltinhas aos mesmos sítios com pessoas diferentes deviam ser bem divertidas. Assim poupavas mais nas mensagens e não te enganavas na ocasião. Realmente fizeste as coisas muito limpinhas, mas eu tinha razão: estas a confundir-me com alguém.
Claro que todas as tuas amigas se apaixonavam por ti! Andar a comê-las ajuda no processo.
Mas enfim, sem mais demoras. Não me stalkes mais senão é pior. De qualquer maneira, vou viver a minha vida como se nada se tivesse passado.
Muito directamente: apaga o meu número... E não te preocupes porque eu não te vou ligar de certeza e assim ficamos bem.
Agora eu vou-me embora. Com isto fecho aqui a nossa memória. Ela há de desaparecer com o tempo. Nem eu espero outra coisa...
Para ti vai ser de certo muito fácil de dormir. Nunca te faltou companhia.

Já não choro. Agora o meu coração só se desfaz. Dói tanto que seca. Arde no peito aquilo que um dia dava quente conforto. Mas para teu delicioso prazer, fica sabendo que estou feliz.

Para ti,
sem mais nada a dizer-te.

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